Evolução do Consumo de Carne: Uma Perspetiva Mundial, Europeia e Portuguesa

por Carlota Gouveia

carlota.gouveia@inodev.pt

Até 2031, o consumo mundial de carne deverá continuar a crescer (+1,4% por ano), graças ao aumento da população e dos rendimentos nos países em desenvolvimento. Embora uma grande parte da procura mundial seja satisfeita pela produção interna, serão necessárias mais 3,4 milhões de toneladas de importações de carne (especialmente de aves de capoeira e carne de bovino) para cobrir a diferença em muitos países.

No entanto, verifica-se uma tendência inversa no que diz respeito à Europa. Após um decréscimo no consumo devido à COVID-19 e à escassez de carne na China, o consumo de carne da UE deverá diminuir de 69,8 kg em 2018 para 67 kg per capita até 2031

Espera-se que a carne de bovino continue a sua tendência decrescente, onde em 2021 o consumo per capita rondava os 10,4kg estando projetada a diminuir até aos 9,7kg/ hab.

O consumo per capita de carne de aves está prevista a aumentar de 23,5kg em 2021 para 24,8kg em 2031. Este aumento será impulsionado pelas contínuas mudanças das preferências dos consumidores, devido à imagem mais saudável da carne de aves em comparação com outras carnes (especialmente a carne de porco), a uma maior conveniência na sua confeção, e ainda, da ausência de restrições religiosas relativamente ao seu consumo.

Quanto a Portugal, em 2021 cada habitante consumiu, em média, 107kg de carne – o que equivale a cerca de 300 gramas por dia. A carne de porco é a mais consumida, sendo que em 2021, cada habitante consumiu 43,4 kg. A carne de animais de capoeira surge em segundo lugar, com cada português a ingerir 42,1kg num ano. Em terceiro, a carne de vaca com uma média de 19,2kg e em último lugar a carne de ovinos e caprinos com um consumo de apenas 2,4kg.

Portugal está projetado a seguir a mesma tendência que a maioria dos países europeus quanto à diminuição do consumo de carne. Um estudo intitulado “The Green Revolution 2021” indica que hoje já são mais de 1 milhão de portugueses que estão a prescindir deste alimento nas suas refeições. Entre 2019 e 2021 mais de 250 mil portugueses adotaram uma alimentação base vegetal. Os vegetarianos, em 2021, perfaziam um total de 2,1% da população portuguesa – em 2019 representavam 0,9% da população. Os flexitarianos, aqueles que têm vindo a trocar a proteína animal pelo vegetal, ainda que não completamente, são os que têm registado um maior aumento, representando já 9,3% da população. 

Os consumidores portugueses estão cada vez mais conscientes do papel da alimentação para uma vida saudável e está provado que estes estão dispostos a pagar mais por produtos que considerem que possam ser benéficos para a sua saúde. Esta tendência tem implicações diretas em vários mercados, especialmente no da restauração. Hoje, oferecer um menu variado que contemple os vários estilos de alimentação é essencial para atrair outros perfis de clientes – até porque 90% dos portugueses esperam hoje uma oferta mais saudável por parte dos restaurantes.

Impulsionado por preocupações com a saúde, o meio ambiente e o bem-estar animal, a tendência de redução do consumo de carne é um movimento cada vez mais presente na sociedade atual. Assim, oferecer opções vegetarianas no menu não é apenas uma forma de atender às necessidades dos consumidores, mas também uma oportunidade para os restaurantes se diferenciarem e promoverem uma imagem mais responsável tanto a nível social como ambiental.

Para mais informações sobre este tema, contacte-nos.

geral@inodev.pt

Fontes:

https://agriculture.ec.europa.eu/news/eu-agricultural-outlook-2021-31-consumer-behaviour-influence-meat-and-dairy-markets-2021-12-09_en

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0000111&contexto=bd&selTab=tab2

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&contecto=pi&indOcorrCod=0000211&selTab=tab0

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